Aquele do homem invisível

Ele perambula pelas ruas porque gosta de ver as pessoas. Algumas, andam apressadas e vão desviando dos obstáculos, isso quando não atropelam quem estiver pela frente. Outras, vão devagar, demorando seus olhares nas belezas diárias que o mundo oferece. Só não conseguem é perceber que ele está ali. Triste, senta na calçada. Apóia as costas na parede e espicha as pernas para frente, ocupando metade do caminho.

Desde que ficou invisível, tarefas que eram simples, como tomar banho, fazer suas necessidades, comer, se tornaram muito árduas. Além disso, é uma vida isolada, perde-se o rumo e o sentido. Nem uma troca de “bom dia”.

A sua invisibilidade, tem uma característica peculiar. As pessoas jamais esbarram no seu corpo. Intriga mesmo. Não podem vê-lo, mas conseguem evitá-lo.

Essa noite, vai fazer um frio de rachar. E ele, infelizmente, não vai resistir. Seu corpo então, vai deixar de ser invisível e alguém, uma hora ou outra, vai notá-lo, no chão, sem vida. Um dos efeitos colaterais de uma invisibilidade tão profunda, será a perda do próprio nome. Sua cova rasa, vai ser identificada apenas por um número. Após esse suspiro de visibilidade, ele vai desaparecer por completo.

 

 

 

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